Para inspirar

Passeando pelo Chongas, assisti a um vídeo que pode inspirar muita gente:  “Blind Skateboarder. Be brave, be safe.”

Antes de tudo, pedimos desculpas pela falta de audiodescrição no vídeo. Já estamos providenciando, juntamente com o Blog Vídeo Audiodescrito, e assim que estiver pronta atualizaremos aqui.

Tommy Carrol nasceu com retinoblastoma bilateral, que é o principal câncer ocular infantil. Por conta disso, ele perdeu a visão aos dois anos de idade.

No entanto, a confiança de Tommy não foi abalada, ele acredita que pode andar de skate como qualquer outra pessoa… E PODE!

Acho que todo mundo deve saber, tudo acontece por uma razão, sempre há uma maneira para superar, nada te impede se você realmente quer” (Tommy Carrol).

 Júlio Fernandes

Melhorias na acessibilidade para pessoas com deficiência visual – Parte III

Este é o post que encerra nossa série sobre como melhorar a acessibilidade para pessoas com deficiência visual em hotéis, onde falaremos sobre reconhecimento dos quarto, banheiros e áreas de lazer. Os posts anteriores vocês podem ter acesso através dos links: Parte I e Parte II.

Espero que gostem e discutam conosco sobre as recomendações não contempladas em normas!

Reconhecer quarto e banheiro 

Esta etapa, normalmente, é a mais longa da hospedagem. Para melhorar, é ideal que  o funcionário do hotel receba treinamento para facilitar sua técnica em descrever o apartamento e seus equipamentos. Em alguns hotéis já encontramos diretório dos serviços em Braille, que deve ser disponibilizado quando receber um hóspede que necessite.

Além do diretório em Braille, recomendamos a sua locução no ramal telefônico do hotel, assim, as pessoas que não tem domínio do sistema Braille poderão se informar dos serviços prestados pelo estabelecimento. O sistema poderá fornecer informações sobre a disposição dos móveis no apartamento e o local onde se encontram todos os controles dos equipamentos eletrônicos, como também comentários sobre as paisagens e as programações de lazer dos arredores do hotel, sendo útil, inclusive, para hóspedes que não tenham deficiência visual.

Para reconhecer o banheiro, o funcionário percorre o lugar com o hóspede e costuma levar a mão dele aos utilitários. Muitas vezes, as pessoas com deficiência visual precisam colocar a mão nos móveis para localizá-los, o mesmo ocorre em um sanitário. Para que seja preservada a higiene, recomendamos a elaboração de um pequeno mapa tátil a ser instalado no batente da porta, à altura da cintura, local que todos os pesquisados passaram a mão. Este layout facilitaria a conceituação de um mapa mental pelo usuário, que se encaminharia com facilidade para os locais desejados. Além disso, o mapa também informaria o posicionamento das torneiras “quente” e “frio” no chuveiro.

A instalação desse tipo de mapa tátil no batente da porta de entrada do apartamento não está recomendada em normas, mas também facilitaria a identificação do layout do quarto, com a identificação da organização espacial das camas, armários e aparelhos eletrônicos. A imagem a seguir apresenta uma simulação desse recurso.

Proposta de mapa tátil para batente da porta no banheiro instalado na forra da porta. Continuar lendo

Melhorias na acessibilidade para pessoas com deficiência visual – Parte II

Dando continuidade à série, onde a primeira parte você pode ler aqui, vamos falar mais um pouco sobre a acessibilidade para pessoas com deficiência visual nos hotéis, onde tais indicações podem ser estendidas para vários outros estabelecimentos.

As escadas são pontos importantes, não apenas para a pessoa com deficiência motora, mas também sensorial. No caso de escadas com espelhos vazados, por exemplo: a norma determina que, nas rotas acessíveis, não devam ser utilizados degraus e escadas fixas com espelhos vazados. No caso desse próximo hotel, para promover segurança ao usuário com deficiência visual é possível instalar vidros jateados para suprir o espaço vazio e não perder a estética da estrutura, além de inserir em todo degrau ou escada a sinalização visual na borda do piso, em cor contrastante com a do acabamento, medindo entre 0,02 m e 0,03 m de largura. Também é preciso instalar sinalização tátil nos corrimãos e piso tátil de alerta no início e término de escadas fixas, escadas rolantes e rampas.

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Melhorias na acessibilidade para pessoas com deficiência visual – Parte I

Os recursos de acessibilidade, tecnológico e humano, facilitam a percepção do ambiente que uma pessoa com deficiência visual pode desfrutar, incluindo-se as paisagens e composições arquitetônicas, bem como possibilita a própria mobilidade com autonomia nesse local. Em uma série de quatro posts, vamos mostrar recomendações para melhorar a acessibilidade dessas pessoas nos hotéis, onde tais indicações podem ser estendidas para vários outros estabelecimentos.

Os hotéis precisam de um plano de acessibilidade voltado às pessoas com deficiência e a situação atual alerta para a necessidade urgente de projetos de adequações. Então, vamos conhecer essas mudanças de acordo com os ambientes.

Entradas

A NBR 9050/2004 determina que as edificações e equipamentos urbanos possuam todas as suas entradas acessíveis, exceto de áreas de serviço ou de acesso restrito. Além disso, é importante que exista um percurso acessível que una a edificação à via pública, às edificações e aos serviços anexos de uso comum e aos edifícios vizinhos, como indica a Lei N° 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

Para que uma pessoa com deficiência visual possa identificar e acessar a entrada de um hotel, é preciso disponibilizar um elemento que sirva de guia. Muitas vezes essa orientação pode ser feita por meio de piso tátil direcional, instalado no sentido do deslocamento, guiando a pessoa com deficiência visual da calçada até a entrada do prédio. É preciso cuidado para não confundir a instalação desses pisos, como na próxima imagem.

Não é indicada a utilização de capacho – tipo de tapete felpudo utilizado nas entradas das edificações. Esses tapetes podem causar tropeços em pessoas com deficiência visual e idosos, além de aumentar o esforço de uma pessoa em cadeira de rodas para entrar no lugar, por exemplo. Para evitar acidentes, indica-se o nivelamento do capacho com o piso, embutindo de maneira que o desnível não exceda 5 mm, como determina a NBR 9050/2004

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Como sinalizar com acessibilidade e estilização

Comumente ouvimos pessoas utilizando ou se referindo ao símbolo internacional de acesso (SIA) de forma equivocada, quer seja com relação ao lugar de utilização ou pelo seu significado. Vamos tentar clarear algumas dúvidas baseando-se na NBR 9050/2004.

  • O símbolo internacional de acesso deve ser utilizado, segundo a norma, para identificar espaços, edificações, mobiliário e equipamentos urbanos acessíveis. Ou seja, não apenas para sinalização de portas ou vagas exclusivas, mas também para caixas eletrônicos exclusivos (acessíveis), por exemplo.
  • O SIA identifica locais onde existem elementos acessíveis ou utilizáveis por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Ou seja, o “símbolo da cadeirinha” não é representante apenas dos cadeirantes ou outra limitação física, não está excluindo as outras pessoas que precisam. A imagem adotada para representar todas as pessoas com deficiência. Se você é surdo, pode utilizar uma vaga exclusiva, por exemplo (mesmo que alguns prefiram não utilizar).
  • A norma determina que o SIA seja representado em combinações de azul e branco ou branco e preto, não permitindo nenhuma modificação, estilização ou adição a este símbolo. Ou seja, nada de símbolo amarelo com fundo rosa para representar o banheiro feminino acessível.

Com alguns exemplos que encontramos em portas de hotéis, podemos ilustrar melhor.
Na imagem a seguir vemos que, além de não possuir complemento (indicando se é um sanitário masculino, feminino ou unissex), o símbolo em material laminado não segue a norma, que determina sinalização em acabamento fosco, evitando-se o uso de materiais brilhantes ou de alta reflexão.
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A mídia com Audiodescrição e Legendas

As comunicações que mais facilitam a interação entre a pessoa deficiência visual, o ambiente e outras pessoas são feitas através da emissão de sons. Existem diversos tipos de comunicação sonora que possibilitam a captação da mensagem por pessoas com percepção auditiva, inclusive surdocegas (com audição residual).
Alarmes sonoros, sistemas de leitura de tela, voz (locução), formato DAYSE e audiodescrição são recursos que podem ser utilizados no cotidiano de pessoas cegas ou com baixa visão. A norma técnica brasileira que contempla Acessibilidade – Comunicação na Prestação de Serviços, NBR 15599 (ABNT, 2008), especifica os recursos acima como: Continuar lendo

Mapas táteis

Ao chegar pela primeira vez em um ambiente procuramos identificar rapidamente todos os elementos que o compõe. Se nós (videntes) vamos ao banco, por exemplo, identificamos logo os caixas eletrônicos do auto-atendimento, com as informações de utilidades específicas (saque, depósito, transferência), a entrada para o caixa e demais portas secundárias. Para uma pessoa com deficiência visual esse reconhecimento será diferente, principalmente se ela estiver sozinha. O piso tátil facilitará o deslocamento e guiará até o atendimento ou caixa eletrônico, mas como saber para qual direção está cada um?

Para auxiliar uma pessoa com deficiência visual a orientar-se nestes casos é importante que sejam disponibilizadas sinalizações como os planos e mapas táteis, facilitando sua primeira referência espacial do local. Estes recursos permitem que a pessoa identifique a direção de cada setor e consiga seguir pelo piso tátil na direção desejada.

Os mapas podem ser utilizados por pessoas cegas ou com baixa visão (normalmente também  incluem-se os idosos) e, para isso, é necessário que eles sejam acessíveis a ambas, com informações em alto relevo combinadas a fontes grandes e contrastantes, facilitando a leitura.  É interessante que o mapa tátil seja de fácil interpretação, intuitivo e direto.

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