A Importância do Design Acessível

Dar aulas em cursos de Design de Interiores e Arquitetura e Urbanismo nos traz a oportunidade de falar sobre acessibilidade para pessoas que estarão diretamente responsáveis por ela no futuro. Essa consciência deve começar ainda na graduação, onde os alunos buscam aprendizado e podem ser sensibilizados a trabalhar pensando não somente nas situações comuns de um mundo que percebem. Torna-se imprescindível que eles notem que seus projetos devem atender a um mundo muito maior, aquele que inclui todas as pessoas. 

Hoje vamos mostrar a reflexão de alunas que participam do Laboratório de Pesquisas em Acesibilide e Ergonomia – LacErgo – com relação a este tema . O artigo, com o título desta postagem,  foi publicado como resumo no 15ª Encontro de Iniciação Científica do IESP/FATECPB:

O presente artigo propõe uma discussão a cerca da acessibilidade dentro do design de interiores, sugerindo uma nova linha de pensamento a ser seguida pelos profissionais de design, onde exista uma linguagem universal para as pessoas que possuem ou não quaisquer deficiências, além de uma compreensão mais abrangente sobre os temas da comunicação e da acessibilidade.

O que vem às nossas mentes, no primeiro momento em que ouvimos falar de acessibilidade? A priori visamos o possível acesso por meio das vias, dos automóveis e das edificações equipados com devida estrutura prevista nas normas da ABNT, em especial a NBR 9050/2015. Contudo, seguiremos um patamar além do óbvio e do que está previsto em leis. Entender as necessidades do outro – ou o que cremos ser compaixão ou senso de justiça – nem sempre é algo que nasce com as pessoas. Por isso, é imprescindível que a educação de tornar este mundo viável e compreensível a todos é algo que se faz necessário todos os dias.

É na rotina das crianças na escola, ou no seu bairro ou em grupos sociais que as pessoas aprendem a importância de romper as barreiras que os espaços urbanos oferecem a qualquer um, seja com ou sem restrição física ou de mobilidade. A proposta defendida no decorrer do desenvolvimento deste trabalho é a de humanizar os projetos de interiores acessíveis, tornando-os espaços universais, prezando pelo senso estético e por uma comunicação verdadeiramente acessível a todos. Isto é, tornar os meios de comunicação, os signos e seus respectivos significados inteligíveis a todos. Este artigo foi elaborado na primeira etapa do projeto de pesquisas LacErgo (Laboratório de Acessibilidade e Ergonomia), coordenado pela professora Ma. Larissa Nascimento dos Santos –  que teve inicio no segundo semestre de 2014. Com base em nossas experiências no projeto de pesquisa LacErgo, entendemos a importância de tornar os espaços acessíveis e seguros para pessoas com ou sem deficiência. Além disto, enfatizamos que é essencial se pensar em projetos eficazes no sentido de promover aos usuários a independência que todos têm o direito.

Percebermos que o fato de qualquer pessoa estar passiva de vivenciar um momento de restrição física, momentânea ou permanente, ajuda a entendermos o problema da falta de mobilidade urbana como um problema coletivo, de interesse comum. É notório, especialmente no Brasil, o descaso com espaços urbanos ou privados, seja pelo poder publico, seja pela própria apatia das pessoas. Seja nas calçadas, ocupadas pelos carros, ou até mesmo esburacadas e desniveladas; seja na falta de uma sinalização universal, que considere os meios sensoriais de comunicação, nas vias e em locais fechados; seja pelo descaso dos profissionais de arquitetura, design de interiores, engenharias, bem como a “vista grossa” da fiscalização de órgãos competentes. Podemos enumerar aqui uma série de eventos que muitas vezes são justificados por uma transferência de responsabilidades e de culpas. Cidadania, portanto, é ter visão coletiva e exercer cidadania não é uma exceção da ética do profissional de designer de interiores, é uma noção básica e incipiente que devemos ter.

Tendo em consciência esta ideia embrionária de se trabalhar a partir das necessidades coletivas mais estruturais que facilitem nossa mobilidade, podemos pensar em planejarmos espaços que proporcionem independência às pessoas. Pois, se esses não derem autonomia aos usuários, é porque não são espaços inteligentes.

Independência para se mover e se comunicar também é um direito genuíno e que precisamos trabalhar para promovê-lo, dentro daquilo que somos capacitados para realizar. O designer de interiores possui o papel de esquematizar e de materializar desde as necessidades mais funcionais àquelas mais subjetivas de seus clientes – essas, ligadas a saúde psicológica e as emoções que os ambientes devem causar ao usuário.

Contudo, o que podemos entender por “romper as barreiras que encontramos nos espaços urbanos”? Seria, então, dar a devida atenção aos problemas de mobilidade que encontramos e procurarmos as soluções para estes, tendo em mente que não estamos projetando um design acessível para uma exceção. Assimilar estas noções de universalidade dos espaços e das linguagens que usamos é imprescindível para tornar a sociedade e o mundo mais integralizados, além de tirar você, profissional de designer, da exceção que será este grupo de profissionais ultrapassados na ética e na qualidade projetual.

 

Isabel Alencar – (IESP/FATECPB) isabelbezerra89@gmail.com
Isabelli Rodrigues – (IESP/FATECPB) isabellirodrigues.02@gmail.com
Larissa Santos – IESP/FATECPB – pbsembarreiras@gmail.com

 

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