Acessibilidade na cidade de Buenos Aires – I

No mês passado tivemos a oportunidade de conhecer a capital da Argentina e, como não poderia ser diferente, ficamos de olho na acessibilidade para fazermos uma breve comparação ao que temos no nosso país.

Buenos Aires é a capital, bem como a maior e mais importante cidade da Argentina, figurando como a segunda maior área metropolitana da América do Sul, depois da Grande São Paulo.A cidade é, indiscutivelmente, o maior, mais importante e desenvolvido centro urbano, financeiro, cultural, administrativo, político, industrial e comercial da Argentina. A cidade está localizada na costa ocidental do Rio da Prata, na costa sudeste do continente sul-americano (Wikipedia).

Registramos um pouco de vários lugares, muitos registros foram durante um citytour, logo, não conseguimos fazer muitas fotos sobre a acessibilidade de um só lugar detalhadamente. Por isso, vamos mostrar vários pontos para dar ao leitor uma noção da situação da cidade.

Grande parte das calçadas parecia positiva, por se apresentarem no mesmo nível da rua (o que não precisaria de rebaixamento para atravessar) e por serem bem definidas as faixas de serviço e de passeio.

Porém, para delimitar o espaço por onde os carros transitam, são colocados elementos (como fradinhos) nas caçadas. Normalmente esses fradinhos são grandes, com dimensões diferentes em cada rua e, pela altura baixa, não podem ser detectados por uma bengala de rastreamento utilizada por uma pessoa com deficiência visual. Essas situações representam riscos para cegos ou pessoas com baixa visão que transitam nas ruas com essa estrutura.

Em vários pontos da cidade observamos calçadas com faixa de serviço, de passeio (onde circulam pedestres e cadeirantes) e uma ciclovia. A ciclovia, separada da rota dos carros, garante mais segurança a quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. A pavimentação da ciclovia é diferente da faixa de passeio, porém precisaria ser melhor sinalizada para não ocorrer acidentes entre pedestres (principalmente com deficiência visual) e ciclistas.

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Apesar de existir legislação argentina que trata do assunto, como a Lei nº 24.314 / 1994 – Acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida, quase não vimos estabelecimentos com o mínimo de acessibilidade (rampa de acesso), muito menos uma acessibilidade completa. As poucas rampas de acesso encontradas possuíam inclinação muito pesada, sendo impossível um cadeirante vencê-la sozinho. A foto tirada em um mercado do bairro de San Telmo mostra a dificuldade que uma criança tem para subir uma rampa interna, utilizando ela para divertir-se.

Com 433 anos, a cidade de Buenos Aires não nega sua origem pela arquitetura deslumbrante e remanescente, além dos seus imensos e modernos prédios em bairros com Puerto Madero. Percebemos que as adaptações ao longo da cidade foram feitas há muito tempo, por isso as guias rebaixadas já estão deterioradas e os pisos táteis instalados de forma incorreta.

Em algumas situações percebemos que um cadeirante só consegue de deslocar com ajuda de terceiros, com isso vimos muitas pessoas com cadeira de rodas transitando com assistência.

Sobre os ônibus, a Lei nº 24.314 estabelece que veículos de transporte público terão dois assentos próximos da porta de cada veículo reservados e sinalizados para pessoas com mobilidade reduzida, que estarão autorizadas para descer por qualquer porta do veículo. Registramos em todos os ônibus que tivemos a oportunidade de utilizar, tanto de turismo quanto público, que esse assento é reservado e bem sinalizado. Inclusive, a quantidade de assentos comuns é bem menor que nos ônibus do Brasil, pois há um bom espaço para as pessoas com deficiência.

Ainda, as paradas de ônibus são elevadas no mesmo nível do ônibus para que o cadeirante possa entrar no veículo, o qual possui piso tátil de alerta instalado para evitar que as pessoas com deficiência visual caiam na rua.

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De forma geral, a acessibilidade (por onde passamos) era muito ruim. Mas, Buenos Aires deve ser mesmo considerada a cidade europeia na América do Sul, muito encantadora das pessoas à arquitetura. Continuares com mais detalhes acessíveis da Argentina em outros posts.

Larissa Santos

Fotos: Samuel Elírio. De 29/10 a 05/11/13.

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