Melhorias na acessibilidade para pessoas com deficiência visual – Parte III

Este é o post que encerra nossa série sobre como melhorar a acessibilidade para pessoas com deficiência visual em hotéis, onde falaremos sobre reconhecimento dos quarto, banheiros e áreas de lazer. Os posts anteriores vocês podem ter acesso através dos links: Parte I e Parte II.

Espero que gostem e discutam conosco sobre as recomendações não contempladas em normas!

Reconhecer quarto e banheiro 

Esta etapa, normalmente, é a mais longa da hospedagem. Para melhorar, é ideal que  o funcionário do hotel receba treinamento para facilitar sua técnica em descrever o apartamento e seus equipamentos. Em alguns hotéis já encontramos diretório dos serviços em Braille, que deve ser disponibilizado quando receber um hóspede que necessite.

Além do diretório em Braille, recomendamos a sua locução no ramal telefônico do hotel, assim, as pessoas que não tem domínio do sistema Braille poderão se informar dos serviços prestados pelo estabelecimento. O sistema poderá fornecer informações sobre a disposição dos móveis no apartamento e o local onde se encontram todos os controles dos equipamentos eletrônicos, como também comentários sobre as paisagens e as programações de lazer dos arredores do hotel, sendo útil, inclusive, para hóspedes que não tenham deficiência visual.

Para reconhecer o banheiro, o funcionário percorre o lugar com o hóspede e costuma levar a mão dele aos utilitários. Muitas vezes, as pessoas com deficiência visual precisam colocar a mão nos móveis para localizá-los, o mesmo ocorre em um sanitário. Para que seja preservada a higiene, recomendamos a elaboração de um pequeno mapa tátil a ser instalado no batente da porta, à altura da cintura, local que todos os pesquisados passaram a mão. Este layout facilitaria a conceituação de um mapa mental pelo usuário, que se encaminharia com facilidade para os locais desejados. Além disso, o mapa também informaria o posicionamento das torneiras “quente” e “frio” no chuveiro.

A instalação desse tipo de mapa tátil no batente da porta de entrada do apartamento não está recomendada em normas, mas também facilitaria a identificação do layout do quarto, com a identificação da organização espacial das camas, armários e aparelhos eletrônicos. A imagem a seguir apresenta uma simulação desse recurso.

Proposta de mapa tátil para batente da porta no banheiro instalado na forra da porta.

O diretório do quarto adaptado para o Braille pode conter as informações como manuseios de aparelhos de ar condicionado, televisão, abertura de janelas e dos alimentos contidos no frigobar, inclusive com suas respectivas posições. Para que esse recurso funcione, é preciso treinar os funcionários responsáveis pela reposição do estoque a manter sempre nos mesmos locais. Assim como no frigobar, recomenda-se que se mantenham sempre os objetos e mobiliário no mesmo lugar que a camareira encontrou antes de entrar no quarto, pois a mudança de layout irá prejudicar a mobilidade do hóspede e dificultar o acesso aos seus pertences.

Como determina a NR – 17, norma de Ergonomia para postos de trabalho, é aconselhável manter o mobiliário sem quinas vivas ou rebarbas, devendo os elementos de fixação (pregos, rebites, parafusos) ser mantidos de forma a não causar acidentes.

Área de lazer 

As rotas para as áreas de lazer também devem ser acessíveis, não dispensando sinalização tátil de alerta antes e após as escadas, assim como foi feito com as rampas, e informação tátil no corrimão do tipo de pavimento que o hóspede se encontra. O piso tátil de alerta tem que ser em cor contrastante com a do revestimento adjacente, variando de acordo com o piso (simulação na próxima imagem).

Proposta de instalação de piso tátil de alerta no início e término da escada.

Por toda a circulação é preciso remover os obstáculos aéreos e terrestres. Os obstáculos aéreos, quando localizados na circulação, devem estar a uma altura mínima de 2,10 m e obstáculos como lixeiras não devem estar no meio da circulação.

Segundo a NBR 9050 (2004), a sinalização tátil direcional deve ser utilizada em áreas de circulação na ausência ou interrupção da guia de balizamento, indicando o caminho a ser percorrido e em espaços amplos. Para evitar que o hóspede caia na piscina ou colida com a cabeça contra o guarda-sol de fibra, no caso deste hotel da próxima imagem, sugere-se a instalação de piso tátil direcional na cor preta, ou seja, contrastante com a cor do piso (cinza claro), entre piscina e mesas.

Um espaçamento do piso a 0,50 m da piscina, na situação atual, levaria o hóspede de encontro às mesas, não evitando o acidente com o guarda-sol. Para isso recomendamos que, nesse caso, seja feito um afastamento de 0,30 m da borda pra a instalação do piso. Ainda, afastando as mesas para perto das varandas, garante-se mais espaço para circulação de pessoas com deficiência visual.

Vista aérea da área de lazer, com proposta de piso tátil ao redor da piscina. Na imagem uma caixa com uma mensagem: composição de piso tátil direcional com piso tátil de alerta na cor preta.

O hóspede com deficiência visual também pode desfrutar do mirante do hotel através da audiodescrição das paisagens feitas por um funcionário treinado ou por um sistema de audioguia. O audioguia é um sistema de descrição utilizado para visitas em museus ou centros de exposições que permite autonomia às pessoas com deficiência visual durante a visitação, pois a locução gravada contém informações sobre as obras ou as paisagens e guia o usuário pelo ambiente. Todas as informações são gravadas e podem ser reproduzidas em aparelhos de som através de fones de ouvido.

Além disso, a área do mirante pode receber piso tátil direcional que evite que o deficiente visual circule próximo às cadeiras e à escada, se desejar ficar na área de mirante em frente ao mar (simulação na próxima imagem).

Piso tátil direcional na área do mirante.

Restaurante

Como bom exemplo a ser seguido, alguns hotéis dispõem de exemplar do seu cardápio em Braille. Esses exemplares devem ficar junto com os outros cardápios no próprio restaurante. No caso de receber hóspede com deficiência visual que não esteja acompanhado de uma pessoa que enxerga, o funcionário deve estar preparado para ajudar o hóspede a se servir, uma vez que, neste caso, o restaurante tem buffet self service.

Algumas pessoas com deficiência visual também sentem a necessidade de Braille para identificar os talheres dos restaurantes, evitando que eles tenham que manusear vários talheres à procura do desejado. Além disso, é essencial que o layout das mesas esteja sempre em fileiras, com um corredor de passagem para evitar que o hóspede tenha que desviar muito e acabe esbarrando nos mobiliários.

Embora as especificações aqui propostas tenham sido destinadas à melhoria da acessibilidade para pessoas com deficiência visual nos hotéis, todo estabelecimento hoteleiro deve estar preparado para receber pessoas com outros tipos de deficiência, seguindo o que estabelece a NBR 9050/2004. Como a NBR 9050 não dá conta de todas as situações da realidade, recomenda-se que os projetos e ações de acessibilidade dos hotéis tomem como base as atividades reais das pessoas nas mais diversas situações.

Fonte: Dissertação – Abordagem da ergonomia para análise da acessibilidade a Hóspedes com deficiência visual em hotéis.

Larissa Santos

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