Melhorias na acessibilidade para pessoas com deficiência visual – Parte II

Dando continuidade à série, onde a primeira parte você pode ler aqui, vamos falar mais um pouco sobre a acessibilidade para pessoas com deficiência visual nos hotéis, onde tais indicações podem ser estendidas para vários outros estabelecimentos.

As escadas são pontos importantes, não apenas para a pessoa com deficiência motora, mas também sensorial. No caso de escadas com espelhos vazados, por exemplo: a norma determina que, nas rotas acessíveis, não devam ser utilizados degraus e escadas fixas com espelhos vazados. No caso desse próximo hotel, para promover segurança ao usuário com deficiência visual é possível instalar vidros jateados para suprir o espaço vazio e não perder a estética da estrutura, além de inserir em todo degrau ou escada a sinalização visual na borda do piso, em cor contrastante com a do acabamento, medindo entre 0,02 m e 0,03 m de largura. Também é preciso instalar sinalização tátil nos corrimãos e piso tátil de alerta no início e término de escadas fixas, escadas rolantes e rampas.

Elevador

Recomenda-se a instalação de piso tátil de alerta “junto às portas dos elevadores, em cor contrastante com a do piso, com largura entre 0,25 m a 0,60 m, afastada de 0,32 m no máximo da alvenaria, conforme exemplifica a figura 64”, como prevê a NBR 9050/2004 (próxima simulação).

Aviso sonoro, pelo menos, de abertura das portas do elevador é ideal. Durante uma pesquisa com um deficiente visual em um hotel, embarcamos e desembarcamos de um elevador sem que ele percebesse. Como estava sendo guiado, ele não notou que havia entrado numa cabina de elevador e mudado de pavimento, pois o equipamento não possui nenhum tipo de sonorização.

No painel interno do elevador é preciso relevo do Braille para permitir a leitura do sistema e adicionar relevo aos botões de acionamento, como comentamos neste post passado.

Corredores

Muitos problemas são ocasionados devido à forma incorreta como o funcionário guia um hóspede. O treinamento de capacitação também visa aperfeiçoar este tipo de técnica, evitando constrangimentos e possíveis acidentes.

O revestimento do piso das rampas deve ser antiderrapante e sem desníveis, assim como deve ser instalado piso tátil de alerta antes e depois das rampas, a uma distância aproximada de 0,30 m do início e ao final do desnível (simulação a seguir).

Existem algumas áreas amplas que a instalação de piso tátil direcional acabaria confundindo o usuário, que pode utilizar-se das paredes laterais para balizar-se, mas, para isso, as áreas próximas às paredes devem estar livres de obstáculos aéreos ou interferências que possam causar acidentes.

Para evitar que uma pessoa com deficiência visual esbarre em extintores existem algumas alternativas.  A próxima imagem mostra a proposta de sinalização tátil alertando a presença de extintores, em que, segundo a NBR 9050/2004, a superfície a ser sinalizada deve exceder em 0,60 m a projeção do obstáculo, em toda a superfície ou somente no perímetro desta.

Em um hotel vimos outro meio de preservar a integridade física do hóspede com deficiência visual. No caso de impossibilidade de instalação de pisos táteis de alerta, recomenda-se a utilização de suportes para esses equipamentos, de forma que o equipamento tenha altura final de, no mínimo, 60 cm (norma atual) e não possua volume maior na parte superior do que na base, sendo possível de rastreá-lo com uma bengala longa (próxima foto).

Abrir a porta e entrar no quarto

Para que o hóspede possa identificar a porta do seu apartamento é necessário que exista essa numeração em relevo, Braille e em tinta com cores contrastantes. A próxima imagem mostra como poderia ser a sinalização tátil do apartamento em um  hotel, instalada a uma altura de 1,10 m do chão, no batente da porta. Neste hotel, em específico, concluiu-se que é mais viável a instalação dessas informações no batente, mesmo que fique ao lado contrário da maçaneta, pois evita que o deficiente visual acabe invadindo, sem querer, o espaço de outro hóspede que possa estar com a porta aberta.

Um aspecto que não é contemplado em norma, mas que foi observado como inacessível às pessoas com deficiência visual é o cartão utilizado como chave de abertura do apartamento. Observamos que o hóspede tem dificuldade em encontrar qual o lado correto para posicionar o cartão e liberar a tranca. Essa situação acontece até mesmo com os videntes (pessoas que enxergam normalmente), pois não encontram uma informação fácil de ser interpretada. Recomendamos que seja inserida a informação de forma mais intuitiva, como, por exemplo: “este lado voltado para você e para cima” e uma seta em alto relevo indicando o posicionamento (próxima simulação). Esse texto em tinta facilitaria o manuseio para os videntes e as pessoas com baixa visão.

Os hotéis podem adotar alternativas de curto prazo para facilitar a utilização desse sistema por essas pessoas, como furar ou cortar uma das pontas do cartão, dando um ponto de referência enquanto não se repõe o estoque de chaves adaptadas.

Continuaremos em breve 😉

Fonte: Dissertação – Abordagem da ergonomia para análise da acessibilidade a Hóspedes com deficiência visual em hotéis.

Larissa Santos

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